sábado, 7 de fevereiro de 2009

Peripécias das interioranas




Em algum lugar distante, no meio do nada, onde a pureza das pessoas tem cândido valor, o limão tem utilidade de desodorante e a banha do pobre porco assassinado para um capricho da frivolidade humana serve de hidratante de pele. Chamemos este cenário de Rancho Fundo, ou Brazlândia, tanto faz.
Os pássaros cantavam em desarmonia, os porcos emitiam sons que muito lembrava um show de trash metal, galinhas soltavam estranhas e histéricas cocoricadas e a vacas Filó flertava com o porco Feijó. Tudo muito lindo, mas da janela observava com certo rancor e inveja da vaca Filó a collega mais solitária do grupo, estou falando da Strawberry Flor do Campo. Incessantes eram suas pragas amaldiçoando a pobre vaquinha e o fofo porquinho. A pobre e solitária Strawberry trazia uma flor em sua orelha de abano para dar-te tom singelo, mas a vaca, ah vaca... Os pensamentos de Strawberry ecoavam: “até a Filó e Feijó se entenderam, mas eu nunca consigo encontrar my man! Vida injusta!”
Chegando a noite de Sexta é dia de se libertar, Strawberry começa sua metódica preparação, onde calça seu Olympicus (não é para correr!), veste sua calça mais justa e uma camisa que de tantas lantejoulas muito me lembra certo cantor que cantava “Conceiçãããããão”. Como de costume, vai à janela e espera pelas collegas vizinhas, enquanto as meninas não chegam, ela põe um CD da madona e começa a ensaiar uma coreografia que pela noite vai delirar na boate...
Aproximadamente as 07:30min, chega a collega motorista, estou falando da caminhoneira Tonhão. Ela sai de seu possante trazendo em mãos um suculento e grande torresmo de toucinho a pururuca, aos que desconhecem o que estou me referindo, trata-se de um pedaço da pele do porco que pessoas do interior do país fritam em óleo estupidamente quente até tomar consistência sólida e crocante. Tonhão já chega dizendo em tom frenético, _anda amaaaada, temos que ir rápido, já são 07:30, se corrermos, talvez consigamos chegar antes da 00:00h na cidade. Dentro do carro uma criatura desprovida de talentos naturais emite um som afetado e medonho, algo que lembrava o coral de cabras, patos e o agudo estridente de muitas galinhas a cocoricar o canto do acasalamento. Estou falando da Carvoeira, pessoa com quem o editor não tem simpatia, no entanto, não poupara seus muitos defeitos físicos e mentais. A criatura bizarra já sai gritando para a Stramberry, _agilizar sua lerda! A pobre e solitária sai da casa delicadamente, põe a rosa na cômoda, beija o bico de seu papagaio e entra no possante.
Tonhão é uma criatura amável, apesar de viver como Alice (no país das maravilhas), a sonhadora e afável criatura sempre está para divertir os amigos e “amigas” assim como as que transportava no possante, desta vez, trazia uma bebida que é o birinigth da roça, trata-se de uma exótica mistura de pinga curtida no siri, jurubeba, limão galego, 15 folhas de hortelã e depois de muito chacoalho, lá estava a bebidas das deusas.
_Amaaaadas, ficou uma DILIIIIICIA, ainda mais acompanhada de um bom e crocante torresmo!
As corajosas collegas passam longo tempo na estrada, ao som de dois CDs que se revezam, um da Madonna, outro da Britney. Ao chegar à civilização, as meninas de expressão cansada e irritante oliosidade que faz com que suas faces brilhem como verniz, entram com fervor na tão esperada “BALADA”. Dançam feito loucas, sabem elas que os seguinte 7 dias na roça será monótono, e suas emoções mais delirantes será a sorte de pegar porcos, vacas ou galinhas fazendo sexo...
Nenhuma das collegas brilhantes de suor, conseguem beijar na boca, exceto uma delas, que da escuridão aparece com o Frankenstein.
_Ah não, justo a Carvoeira!
Desoladas num canto Tonhão e Strawberry começam a jogar porrinha (passa tempo de gente da roça), mas nada pode preencher seus vazios existenciais. Ver a mais feia beijando assanhadamente era uma afronta, mas elas reúnem forças e ao som de Cher, se jogam na pista e se acabando no som e também com o visual encharcado de suor que provoca o odor.
Indo embora, as collegas param no cachorro quente do “Fábio” para repor suas energias, Tonhão diz que precisa maneirar, mas logo de entrada pede 2 dogs e se acaba, se lambuza, se suja toda ao molho de tomate acompanhada de um excessivo volume de maionese apimentada, outras com ervas.
Quando saciadas do apetitoso e insalubre alimento, é hora de encarar a estrada...
Longos e intermináveis quilômetros até o lar, e dentro do possante Strawberry e Carvoeira se entregam ao sono, coisa perigosa, visto que Tonhão pode pegar no sono, o que poderia nos remeter a um fato infeliz da nossa história. Mas enfim...
Depois de muito tempo na estrada, passando por barrancos, altos e baixos relevos, estradas assombradas, enfim, era possível ver onça e capivara encenando a lei da sobrevivência, ou seja, as collegas haviam chegado ao lar.
Tonhão deixa a Carvoeira em casa, e quando a criatura estranha desse, Strawberry aproveita para soltar um: _aaaaaaaaaaaaaah eu to nervooooosa...
Tonhão puxa seus próprios e tingidos cabelos fazendo frenéticos movimentos de vai e vem.
As vezes o sentimento da inveja, principalmente quando provocado por pessoas de valores estéticos inferiores, nos faz cometer atos irracionais.
E assim termina mais um capítulo que hoje relatou um dia divertido das Collegas do campo. Sim, as meninas da roça também são gente, apesar de seus costumes bizarros de beber leite diretamente da teta da vaca, matar o animal que a ti servirá de alimento, entre outras peculiaridades que as faz diferente, vale a ressalta que sem as diferenças o mundo seria muito chato, se todos seguissem os ideais da sociedade, de quem eu iria debochar neste blog?
[comentários do editor: Ontem mesmo a Tonhão solicitou que eu a chamasse de Vermessa, mas ela tem cara de Tonhão, no entanto, como eu sou o Deus desse blog, fica Tonhão!]
[outro comentário do editor que tudo pode: Bem, apesar de ser o Deus desse blog, devo admitir que quem deu a idéia do nome foi a collega Strawberry, pronto, já teve seus méritos de reconhecimento]

Um comentário:

  1. Que sacanagem com a cidade onde eu trabalho! Brazlôngia, pelo menos... Rancho Fundo não! Esse nome você poderia dar para o Riacho Fundo!
    E eu nem quero imaginar quem são essas doidas aí da sua estória...
    Abraço!

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